Feeds:
Posts
Comentários

Feliz Navidad

Incluo aqui, entre textos meus, um texto cuja autoria desconheço e que tempos atrás encontrei não me lembro onde. Coloquei o título em espanhol simplesmente para identificá-lo, mas o trago já traduzido para o português.

Desejo-te…
tanta sorte quanto gotas tem a chuva,
tanto amor quanto raios tem o sol,
tanta felicidade quanto estrelas tem o céu.

Se não sabes com que presentear
teus entes mais queridos no Natal,
presenteia-os com teu amor.
Talvez o melhor enfeite de Natal
seja um grande sorriso!

Se tua vida é lutar… vence!
se é amar… ama!
se é ilusão… acorda!
Mas, se tua felicidade depende de meu carinho…
considera-te a pessoa mais feliz do mundo.

Para os bons momentos… gratidão,
para os maus… muita esperança,
para cada dia…um sonho,
e sempre… felicidade!

Encontrei a FELICIDADE e ela me disse
que estava indo à tua casa.
Pedi-lhe que levasse também
a SAÚDE e o AMOR.
Trata-os bem… vão de minha parte.

Que a chuva da paz,
da esperança, da felicidade e do amor
te surpreenda com o guardachuva rasgado
e respingue em todos os que estamos ao teu redor.

Disse um sábio: a riqueza de um humano
mede-se pela quantidade e pela qualidade
dos amigos que tem…
Obrigado por seres parte de minha fortuna.

Estas frases são uma caixinha de paz,
cheia de alegria, embrulhada com carinho,
selada com um sorriso,
e enviada com um beijo.

Feliz Natal!

17/08/2011.

Uma carta

(Remexendo em guardados da Benê, encontrei uma carta que lhe escrevi [e entreguei em mãos, é claro] em 06/10/1965, ou seja, seis meses depois de nosso casamento. Para simples registro da coisa, transcrevo-a aqui, na íntegra.)

Floresta, 6 de outubro de 1.965.

Meu Grande Amor!

A imensa saudade que sinto de você é que me leva nesse instante a escrever-lhe esta cartinha. Não imagina, meu Bem, quanto a quero e quanta falta me faz sua presença. Nas dificuldades que tenho que passar aqui em meio a este infindável sertão, só sinto alento ao lembrar seu nome, ao recordar seus olhos castanhos, seus lábios rubros, seu rostinho meigo emoldurado por esses longos cabelos que lhe caem a cobrir os ombros. A recordação de você e a esperança de um dia tê-la para sempre comigo é que me dão ânimo para seguir sempre à frente.

Quantos meses, quantos anos talvez ainda nos separem? Oh! como é grande e ardente o desejo que sinto de estar a seu lado, de tocar suas mãos, beijar sua bela fronte, acariciar seu rosto de boneca e deixar meus olhos no seus olhos passearem!

Mas… desculpe-me, meu Bem. Agora estou recordando que hoje, dia 6, faz 8 meses que nos casamos, e isso tudo talvez tenha sido um sonho que, há anos, eu, perdido nas florestas da Mantiqueira, tenha sonhado, pois sei que já naquele tempo você morava no meu coração.

Seu, só e eternamente seu,

toninho da Benê.

 

Toninho

17/08/2011.

Viola caipira

Já que nossas estradas de ferro, muitas delas com um passado não tão remoto bem glorioso, em grande parte não servem para se viajar, ao menos em muitas cidades as estações estão sendo recuperadas para algum uso público, geralmente na área cultural. Jacareí é um belo exemplo disso.

Dia 12 último, por exemplo, dentro de uma programação especial do Festival do Folclore “Viva Tinguera” para todo o mês de agosto, apresentou-se, no Pátio dos Trilhos, no centro da cidade, a Orquestra de Viola Caipira de Jacareí Paulo Caipira.

Com uma lua cheia a passear por esse céu que “aqui é mais azul”, uma lua e um céu de causar inveja a tantos cantos deste planeta que não conhecem um “luar do sertão”, a orquestra foi desfiando melodias antológicas de nosso cancioneiro caboclo…

Fizemos a última viagem, foi lá pro sertão de Goiás, fui eu e o Chico Mineiro, também foi o capataz…

Há tempo fiz um ranchinho, pra minha cabocla morar, pois era ali nosso ninho, bem longe deste lugar… Ah! Quem tem capacidade de entender a extensão e profundidade de uma expressão como essa: …bem longe deste lugar… senão só quem já plantou raízes em alguma beira de mata ou perto de um regato cristalino por esse imenso chão brasileiro?

Saudade, palavra triste, quando se perde um grande amor, na estrada longa da vida eu vou chorando a minha dor… Meu primeiro amor tão cedo acabou, só a dor deixou neste peio meu. Meu primeiro amor foi como uma flor que desabrochou e logo morreu…

As mocinhas da cidade são bonitas e dançam bem. Dancei uma vez com uma moreninha e já fiquei querendo bem!…

Corre um boato aqui donde eu moro que as mágoas que eu choro são mal ponteadas, que, no capim mascado do meu boi, a baba sempre foi santa e purificada… É que a viola fala alto no meu peito humano, e toda moda é um remédio pros meus desenganos. É que a viola falta no meu peito, mano, e toda mágoa é um mistério fora deste plano…

E como não podia faltar, tocaram e cantaram também o hino nacional do caboclo brasileiro: Nestes versos tão singelos, minha bela, meu amor, pra mecê quero contar o meu sofrer e a minha dor, eu sou como o sabiá que quando canta é só tristeza, desde o galho onde ele está…

Quando saí dali, ao atravessar a linha de trem de um pátio a outro da estação, esse espaço pouco iluminado pelas luzes da cidade me permitiu ver a lua de prata que, num céu límpido, se rodeara de estrelas aqui e acolá, certamente lágrimas derramadas por ela ao ouvir tão dolentes canções…

Toninho

15/08/2011.

Desde há muito aprendi uma oração que, além de muito bonita, acho de grande profundidade. Não sei quem seja seu autor. Parece-me certa vez ter ouvido que seria Dom Oscar Romero, o bispo mártir da Guatemala.

Mas, pouco interessa sua autoria. O importante é que ela corre por aí de mão em mão, fazendo o bem a todo aquele que a reza com compenetração e procura pô-la em prática com afinco e serenidade. Rezá-la pausadamente, pesando cada palavra, procurando cada dia viver com seriedade pelo menos um de seus itens, certamente nos levará a progredir no caminho do bem.

Bem, basta de comentários. Vamos a ela e tire cada um o maior proveito que lhe for possível.

Oração da manhã

Senhor, no silêncio deste dia que amanhece, venho pedir-te a paz, a sabedoria, a força.

Quero olhar hoje o mundo com olhos cheios de amor; ser paciente, compreensivo, manso e prudente; ver, além das aparências, teus filhos, como tu mesmo os vês, e, assim, não ver senão o bem em cada um.

Cerra meus ouvidos a toda calúnia. Guarda minha língua de toda maldade.

Que só de bênçãos se encha meu espírito. Que eu seja tão bondoso e alegre que todos quantos se achegarem a mim sintam tua presença.

Reveste-me de tua beleza, Senhor, e que no decurso deste dia eu te revele a todos.

Amém.

Se, de fato, tivermos os olhos de Deus para ver cada uma das pessoas com quem convivemos; se, de fato, com a sabedoria e a força de Deus procurarmos viver em paz, conosco mesmo e com os que nos cercam; se não dermos ouvidos às calúnias que aqui e ali nos dizem, e se nossa língua só falar o bem dos outros e procurar divulgar as coisas bonitas que acontecem todos os dias, sem correr atrás das mazelas humanas e delas ficar fazendo propaganda; se nosso coração estiver cheio de bênçãos, de bondade, de alegria de tal forma que as deixe transbordar por onde quer que passemos; enfim, se nos deixarmos revestir da beleza de Deus de modo que naturalmente o revelemos a todos, a oração do Pai nosso será algo que impregnará toda nossa vida, fazendo que com ela o nome de Deus seja santificado, seu reino venha à terra, cumpra-se a sua vontade e o pão de cada dia chegue a todos e não apenas a alguns privilegiados.

Que assim Deus nos ajude. Que assim seja!

Toninho
10/08/2011.

Não, não. Não é bem desses escândalos a que me estou referindo. Esses são tantos que as cores do arco-íris são poucas para classificá-los.

Refiro-me às maravilhas com que, nesta época, a exuberante natureza brasileira todo ano nos presenteia. É que costumo chamar de escandalosamente bonito um ipê florido, seja ele de que cor for. Normalmente, os primeiros a florir são os roxos, os rosas, vindo depois os amarelos e, finalmente, os brancos. De início, basta erguer os olhos e vemos colorindo o azul dos céus as copas que, de frondosamente verdes há pouco, foram deixando amarelar, secar e cair suas folhas, e as árvores ficam como que nuas para em seguida receber essas vestimentas esplendorosas com que enfeitam a natureza. Poucos dias depois, essa maravilha começa a cair e o que a gente vê são gramados e calçadas atapetados dessas cores.

São imensos sorrisos de Deus, esparramados mundo afora, com que ele vive presenteando seus filhos!

Toninho
09/08/2011.

Ninguém me pediu e muito menos exigiu explicação da atitude que estou tomando. Eu é que me sinto com certo dever de dar uma satisfação a vocês, pois, afinal de contas vivemos em família, e a boa educação me manda pelo menos dizer um “até logo” quando de repente me afasto de uma roda de conversa. Então, digamos que estamos conversando e eu precise me ausentar, que seja por alguns momentos… Ou, quem sabe!…

Na verdade, o anseio de fazer algo mais direto, concreto, para o Reino de Deus, já vem de longa data.

Há pelo menos três, quatro anos, não me lembro bem, a revista Veja, publicou num só número três artigos contra Dom Luiz Cappio, bispo da diocese da Barra, na Bahia, que estava fazendo greve de fome contra a transposição do Rio São Francisco. Com críticas infundadas e puras calúnias, chegou ao ponto de denegrir virtudes suas chamando-o de orgulhoso, quando na verdade é profundamente humilde. Eu o conheço e o tenho na conta de santo, desses de carne e osso, que andam entre nós sem chamar a mínima atenção. A não ser quando a gente tira os olhos das coisas chãs desta terra e os mira para o alto.

Dom Luiz Cappio, sendo de família tradicional de Guará, deixou tudo pelo ideal de servir a Cristo. E quis servi-lo na pessoa do irmão mais pobre e necessitado. Para isso, fez-se frei franciscano e, desde que se ordenou sacerdote, embrenhou-se pelo sertão baiano, lá trabalhando desde os inícios da década de 1970. Conhece muito bem toda a realidade, tanto do Rio São Francisco em si, quanto da população que vive à sua margem, pois já o percorreu, a pé ou de barco, desde a nascente até a foz. Um catecismo seu – Água Viva –, publicado em 1978 pela Editora Santuário, já vendeu centenas de milhares de exemplares. E continua sendo impresso e vendido até hoje.

Quando, então, da reportagem da Veja, escrevi uma carta a ela, que a revista nunca teve a hombridade nem de publicar nem de responder. Prometi que nunca mais sequer poria os olhos em Veja. E disso nasceu a vontade de, um dia, trabalhar junto de dom Luiz. Cheguei até a conversar a respeito com a Benê, que também se dispôs a fazer o mesmo junto comigo. Nossa realidade de vida, no entanto, não o permitiu.

Senti que agora, na situação em que me encontro, estava na hora de realizar esse sonho. Quando, porém, me preparava para escrever a Dom Luiz, o Alceu Biagiotti, da Equipe Nossa Senhora das Famílias, da qual Benê e eu fazíamos parte, me chamou para um jantar que a Equipe ofereceria a Dom Leonardo, bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia, lá nas proximidades da Ilha do Bananal. O motivo do jantar prendia-se apenas ao fato de Dom Leonardo, quando simples Frei Uli (seu nome verdadeiro é Ulrich Steiner, mas, desde que foi nomeado bispo, optou por colocar antes o nome do pai – Leonardo – para facilitar), ter sido assistente espiritual da nossa equipe, e sempre que tem oportunidade gosta de encontrar os amigos, pois é muito querido por todos. Esse jantar se deu na véspera do encerramento da Assembleia geral anual da CNBB, pela primeira vez realizada em Aparecida. Dom Leonardo já havia sido eleito, por unanimidade, Secretário Geral da CNBB, mas até então eu nada sabia a respeito.

Fui ao jantar. Na viagem de ônibus até Guará, assaltou-me a pergunta: Se estou disposto a trabalhar com Dom Luiz, por que não com Dom Leonardo, que vive uma realidade tão dura quanto a de Dom Luiz? (A Prelazia de São Félix é maior do que o Estado de Santa Catarina, estado natal de Dom Leonardo!) E fui ruminando a ideia. Até que, ao final do jantar, pedi-lhe um minuto de conversa a sós e lhe confidenciei o que me ia na alma, inclusive que a ideia inicial tinha sido a de trabalhar com Dom Cappio. Com um sorriso largo, simplesmente me disse: ‘Se quiser, vamos embora já comigo, mas não para São Félix, e sim para Brasília. Preciso de você na CNBB. Temos de trabalhar muito pela Igreja’. Foi quando me contou que acabara de ser eleito Secretário Geral.

Depois disso, trocamos e-mails e, no final de junho, atendendo a seu pedido, fui até Brasília, para conhecer meu novo lugar de trabalho. E só não fui de vez para lá porque precisava fazer uma cirurgia de catarata, o que já aconteceu. Estou agora num período de acompanhamento médico, aguardando o dia em que me deem alta.

Essa é a história. E eu que me ofereci para ir trabalhar no mato, com gente simples da roça, com quem me sinto à vontade, pois sou “bicho do mato”, dentro de alguns dias me verei no coração mesmo do Brasil. Mas podem ficar certos: sempre que possível, meu descanso de fim de semana será trabalhar com essa gente. Até que Deus o permita!

Toninho
03/08/2011.

Não é comum encontrarem-se bons carpinteiros que sejam também bons marceneiros. Ainda mais hoje quando as especializações são cada vez mais exigidas e fazem que os conhecimentos e as habilidades dia a dia se departamentalizem.

Bento foi tão hábil como carpinteiro quanto como marceneiro. Conhecia a técnica necessária na carpintaria, com a leitura e decifração de plantas de casas e prédios para montar formas de vigas e colunas para concreto armado, construía telhados, desde os mais simples até os mais cheios de recortes e águas furtadas, fazia assentamentos de portas e janelas com uma perfeição que chegava ao requinte. A isso aliava a arte da marcenaria na confecção de móveis.

Vindo da capina de café na roça, foi como ajudante de carpinteiro que foi admitido na estação da então recém nascida Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, em Bauru, no Estado de São Paulo. De ajudante, não demorou a ser efetivado como carpinteiro, tal sua queda para o ofício, tamanho seu autodidatismo. Era tanta a simbiose existente entre o homem e a madeira que logo viram nele um possível artista para a confecção de peças que exigiam, mais que técnica, arte.

Com o mundo em plena segunda guerra mundial, entre os anos 1940 e 1945 quase que ano a ano começou a ouvir mais quatro bocas gritando por comida em casa. Eram os filhos que chegavam. E assim, em fins de 1946 ou inícios de 1947, decide mudar para São Paulo, a metrópole que explodia e absorvia toda mão de obra que surgisse à frente das grandes empreiteiras e construtoras.

Sem condições para morar em um bairro mais próximo do centro, veio morar com a família em uma casa com apenas dois cômodos – quarto e cozinha, com banheiro no quintal – em Ermelino Matarazzo, quase extremo da zona lesta paulistana. Dali saía de madrugada para trabalhar e só voltava à noite. Nós, os filhos, raramente o víamos durante a semana, pois saía enquanto ainda dormíamos e, quando voltava, geralmente já nos tínhamos recolhido de novo.

Vida dura. Mas ganhava dinheiro. Tanto que já em 1948 compra um lote quase ao lado da casa onde morávamos, com 15m de frente por 50m de fundo, e logo começa a erguer a casa própria. Casa que se tornou para a família a até hoje lendária casa da Rua 12, da Vila Paranaguá, em Ermelino Matarazzo.

Telhados eram sua especialização. Quanto mais cheios de recortes e sofisticados, mas prazer em construí-los. Bruno, o cunhado casado com sua irmã caçula – a tia Angelina que em dezembro próximo completa 93 anos – era projetista de telhados. Tão exímio se tornou na arte que chegou a ser dos melhores em São Paulo. E Bento era, no dizer do próprio Bruno, seu melhor executor. Aliás, a respeito, guardo uma história que merece ser contada.

Em 1989 ou 1990, não me lembro bem, tio Bruno me convidou para uma viagem até Nova Andradina, no Mato Grosso do Sul, onde o primo Nino tinha uma fazenda. Na viagem de volta, fizemos várias paradas em cidades onde ainda hoje moram amigos e parentes nossos. Em Pompeia, tio Bruno encontrou um amigo que, desde a juventude, era e continuava relojoeiro. Paramos também em Marília, Piratininga e Bauru. Em Bauru, fomos à casa do tio Domingos, o terceiro dos filhos de Giovanni Bicarato e Colomba Mussini, e o mais velho dos homens. A dado momento da conversa, em que se falou de tudo, inclusive do Bento como um dos construtores da estação de trem de Piratininga, então um distrito de Bauru, tio Bruno se vira para tio Domingos e pergunta: “Escuta, e onde está aquele velho serrote que o Bento usou na construção?” E tio Domingos: “Está aqui, e nele ninguém mexe!” Diante do pedido do tio Bruno e de minha insistência, tio Domingos foi buscá-lo e o exibiu com orgulho dizendo: “Igual o Bento, no serrote, ninguém!” E tio Bruno confirmou.

De fato, suas mãos vigorosas imprimiam tal cadência no corte de uma madeira que qualquer maestro poderia marcar compasso ao seu ritmo. E, com isso, pouco ele se cansava. Era capaz de passar horas seguidas traçando todo tipo de madeira. E não só o serrote. Manejava com maestria o formão, a enxó, o martelo. Referindo-se a este, dizia: “Dá pra conhecer um carpinteiro só no jeito de ele pegar o martelo”. E completava falando que, para se aproveitar toda a força de alavanca que oferece o cabo do martelo, é preciso segurar a ferramenta pela ponta de seu cabo, não com a mão perto da cabeça do martelo.

Esse era o homem que, por necessidade, deixou a escola no segundo ou terceiro ano primário, mas que aprendeu inclusive noções de álgebra e geometria. Embora não lesse com frequência, gostava muito de ler. Cronin era seu preferido. “As chaves do Reino” foi o último que lhe vi nas mãos. De uma geração para a qual a leitura da Bíblia era quase proibida, em seus longos anos de presidente da Conferência Vicentina de Ermelino Matarazzo, era quem lia e comandava os comentários sobre os textos bíblicos nas reuniões semanais. No seu português mesclado de palavras italianas, resquício das conversas de família no tempo de infância, tinha o costume de dizer “eu fez – ele fiz”.

Pele bem morena, certamente herança de sangue mouro do sul da Itália lhe correndo nas veias, e com certeza resultado dos longos anos trabalhando exposto ao sol, esse foi o homem que, mesmo não tendo tido uma vida longa, educou quatro filhos com a sabedoria dos simples. E tendo sido, a vida toda, um carpinteiro marceneiro.

Toninho
30/07/2011.